Bicentenário do Báb, “Manifestante de Deus” e fundador da Fé Bahá’í

23.08.2019

Uma das particularidades da religião bahá’í é ter na sua origem dois Profetas: o Báb e Bahá’u’lláh. E se na terminologia bahá’í os fundadores das grandes religiões mundiais são referidos como “Manifestantes de Deus” (porque manifestam características divinas), a origem dupla da Fé Bahá’í levou alguns autores a referir os seus fundadores como “Manifestantes Gémeos”.

 

Na verdade, o Báb e Bahá’u’lláh têm diversos aspectos comuns, além da proximidade temporal e geográfica. Ambos proclamaram ser Manifestantes de Deus, portadores de uma nova mensagem divina para a humanidade. Ambos defenderam a necessidade de reformas sociais e espirituais. Ambos sentiram a reacção violenta dos líderes políticos e religiosos de uma Pérsia profundamente retrógrada e tradicionalista.

 

As suas vidas seguiram rumos distintos: o Báb foi preso e depois fuzilado no norte da Pérsia, em 1850; Bahá’u’lláh foi preso e sucessivamente exilado em diversos lugares do Império Otomano, tendo morrido em 1892, na Palestina. No entanto, a mensagem destes “Manifestantes Gémeos” prevaleceu. No final do século XIX, ultrapassou as fronteiras da Pérsia e do Império Otomano e chegou à Europa, aos Estados Unidos e à Índia.

 

A celebração dos bicentenários de nascimento destes dois “Manifestantes de Deus” tem ocupado parte significativa do tempo e energia da Comunidade Bahá’í. Depois de assinalar o bicentenário do nascimento de Bahá’u’lláh em 2017, os Bahá’ís celebram agora, em 2019, o bicentenário do nascimento do Báb.

 

É um bom pretexto para recordar esta figura central da Fé Bahá’í.

 

 

É sabido que o Báb nasceu em Shiraz, no seio de uma família de comerciantes, no dia 20 de Outubro de 1819. O seu nome próprio era ‘Alí-Muhammad. Tanto o pai como a mãe eram descendentes de Maomé. O Báb ficou órfão de pai quando era criança e foi entregue aos cuidados de um tio materno; esse tio seria o único dos seus familiares que aceitaria abertamente a sua Causa durante a sua vida.

 

Nas muitas histórias conhecidas sobre a sua infância, podemos lembrar o episódio em que o Báb foi à escola pela primeira vez. O professor ficou maravilhado com a sua sabedoria e inteligência, e enviou-o de volta para o tio, dizendo que nunca tinha ensinado um aluno tão dotado. O tio ordenou-lhe que estivesse calado e ouvisse o professor com atenção; mas com o passar do tempo, o mestre-escola sentia-se mais aluno do que professor.

 

Após o anúncio da sua missão em 1844, e ao longo do seu breve ministério, o Báb teve a oportunidade de revelar diversas epístolas e livros onde expôs os seus ensinamentos. A sua identidade como Profeta prometido era claramente mencionada: “Eu sou, eu sou o Prometido! Eu sou Aquele cujo nome invocais há mil anos, perante cuja menção vos levantais, cujo advento há muito desejais testemunhar e cuja hora da Revelação haveis rogado a Deus para que apressasse”.

 

O monoteísmo rigoroso e a atitude devocional fervorosa estavam sempre presentes nas suas palavras: “Adora a Deus de tal maneira que, se a tua adoração te levasse ao fogo, nenhuma alteração se produziria na tua devoção e o mesmo aconteceria se a tua recompensa fosse o paraíso.” Outros textos revelados anunciavam o aparecimento iminente de um novo Manifestante de Deus – uma referência a Bahá’u’lláh – e descreviam a revelação divina como um processo contínuo e interminável: “Deus tem levantado Profetas e revelado Livros tão numerosos como as criaturas do mundo e continuará a fazê-Lo eternamente”.

 

As semelhanças entre o Báb e Jesus têm sido frequentemente referidas por diversos autores. Ambos eram conhecidos pela sua generosidade. Ambos condenaram a corrupção das autoridades religiosas e certos hábitos sociais. Foram ambos perseguidos pelas autoridades políticas e religiosas, sendo ambos interrogados e espancados. Ambos começaram por entrar em triunfo na cidade onde seriam mortos. Ambos proferiram palavras de conforto para os que iam morrer com eles. Não admira que Eça de Queirós tenha descrito o Báb como “…um Messias, um Cristo“.

 

A evocação da vida e ensinamentos do Báb estará presente em todas as celebrações deste bicentenário. Nestas celebrações – abertas ao público – haverá momentos devocionais, artísticos e de confraternização.

 

Feliz bicentenário!

 

Fonte: 7 Margens

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